O mercado de carros usados fechou o primeiro semestre de 2026 no positivo, mas a história não foi igual para todo mundo. Enquanto Renault Kwid, Volkswagen Fox e Chevrolet Onix ajudaram a puxar os preços para cima e sustentaram o índice geral, os elétricos usados seguiram no caminho oposto e já acumulam desvalorização que passa dos 46%. É um retrato claro de como o mercado de seminovos está cada vez mais dividido entre dois mundos: o dos populares tradicionais, que o brasileiro conhece e confia, e o dos eletrificados, que ainda não encontrou o equilíbrio no mercado secundário.
O mercado de usados cresceu, mas não de forma uniforme
Segundo levantamento da IBV Auto, o índice nacional de carros usados acumulou alta de 3,49% entre janeiro e junho de 2026, resultado bem acima dos 1,98% registrados no mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, a inflação dos seminovos chegou a 6,87%. Só em junho, o indicador subiu 0,57%, acelerando em relação ao 0,43% de maio.
O crescimento, porém, está concentrado. Não é todo carro usado que está valorizando. O movimento depende muito do modelo, da faixa de preço e da tecnologia embarcada.
Kwid, Fox e Onix são os que mais puxam o mercado para cima
Os hatches populares foram os principais responsáveis pela sustentação do índice em junho. Renault Kwid, Volkswagen Fox e Chevrolet Onix aparecem na liderança dos modelos que mais contribuíram para a alta do período.
O motivo não é novidade para quem conhece o mercado. Esses carros têm grande circulação, manutenção previsível, peças acessíveis e facilidade de revenda. São exatamente as características que o comprador de usado prioriza. Quem compra um Onix ou um Kwid sabe que não vai ter dificuldade para vender quando quiser trocar.
Do lado contrário, Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 pressionaram o índice para baixo, com queda de preço no mesmo período. Esses modelos estão numa faixa em que a competição com novos lançamentos e promoções de zero km começou a pesar na hora da negociação do usado.
Elétricos usados perdem metade do valor em quatro anos
O dado mais impactante do levantamento está nos elétricos. Os modelos elétricos lançados em 2023 já acumulam desvalorização média de 46,1% até junho de 2026. Para quem comprou um elétrico zero km em 2023, isso significa que o carro vale hoje menos da metade do que custou novo.
A situação é ainda mais grave nos modelos de 2022. Nesse grupo, a perda chega a 50,5%, ou seja, metade do valor original sumiu em cerca de quatro anos.
| Tipo de veículo | Ano de lançamento | Desvalorização acumulada até junho 2026 |
|---|---|---|
| Elétrico | 2023 | 46,1% |
| Elétrico | 2022 | 50,5% |
| Híbrido | 2023 | 26,1% |
| Híbrido | 2022 | 19,3% |
Os híbridos também caíram, mas em ritmo menor. Os de 2023 acumulam queda de 26,1% e os de 2022 registram 19,3% de desvalorização. A diferença em relação aos elétricos puros é grande e mostra que o mercado ainda trata as duas tecnologias de forma bastante diferente na hora da revenda.
Por que os elétricos estão desvalorizando tanto
A explicação principal está na competição dos modelos novos. Com mais montadoras entrando no segmento, lançamentos frequentes e estratégias agressivas de precificação, os elétricos zero km ficaram mais baratos e mais atraentes nos últimos dois anos. Quando o carro novo cai de preço, o usado precisa cair mais ainda para continuar fazendo sentido para o comprador.
Além disso, a rápida evolução tecnológica dos elétricos faz com que um modelo de 2022 já pareça defasado em relação aos lançamentos de 2025 e 2026, tanto em autonomia quanto em recursos embarcados. Esse efeito é muito mais intenso nos elétricos do que nos carros a combustão, que evoluem em ritmo mais lento.
Minas Gerais lidera a valorização dos usados no país
A alta dos seminovos apareceu em todas as regiões, mas o Sudeste liderou o movimento em junho, com avanço de 0,83%. Dentro da região, Minas Gerais foi o destaque: 1,64% de alta no mês e 8,48% nos últimos 12 meses, o maior índice entre todos os estados do país. O Rio de Janeiro aparece em seguida com 7,20% no acumulado de 12 meses, enquanto São Paulo registrou avanço mais moderado de 5,27%.
O mercado de usados não é mais o mesmo para todo mundo
O primeiro semestre de 2026 deixou claro que o mercado de seminovos está se dividindo em dois caminhos distintos. De um lado, os populares tradicionais que o brasileiro já conhece, com Kwid, Fox e Onix na frente, seguem firmes e valorizando. Do outro, os eletrificados enfrentam uma desvalorização que poucos compradores esperavam quando foram às concessionárias pagar o preço cheio. Para quem está pensando em vender um elétrico usado ou comprar um seminovo eletrificado, os números de junho são um ponto de atenção importante. Você compraria um elétrico usado sabendo dessa desvalorização, ou prefere um popular tradicional com mais previsibilidade de revenda?
Por que os carros elétricos usados estão desvalorizando tanto?
A queda acontece porque os elétricos zero km ficaram mais baratos com a chegada de novos modelos e a competição acirrada. Com o preço do novo caindo, o seminovo precisa cair mais ainda para continuar atrativo, além da rápida evolução tecnológica que envelhece os modelos mais rápido do que nos carros a combustão.
Quanto um carro elétrico de 2022 desvalorizou até junho de 2026?
Os elétricos lançados em 2022 acumulam desvalorização média de 50,5% até junho de 2026, segundo levantamento da IBV Auto. Isso significa que metade do valor original do carro foi perdida em cerca de quatro anos.
Quais carros usados mais valorizaram no primeiro semestre de 2026?
Renault Kwid, Volkswagen Fox e Chevrolet Onix foram os modelos que mais contribuíram para a alta do índice de seminovos, que acumulou 3,49% entre janeiro e junho de 2026, segundo a IBV Auto.


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